
O homem é naturalmente bom, sendo a sociabilização a culpada pela "degeneração" do mesmo.
Será?
E qual a saída para conter esta socialização deturpada?
Em 1987, Gille Lipovetsky, sociólogo e Professor francês, denunciava que um vazio, sem tragédia nem apocalipse, passava a reger o mundo atual.
Intelectuais acometidos de senilidade precoce, militantes do insignificante protestaram com veemência, mas o jovem filósofo tinha razão.
Giles preconizava um combate à frivolidade imperante, à apatia, à indiferença, tanto mais que a sedução havia tomado lugar à convicção. Assistia-se à desagregação da sociedade, dos costumes, do indivíduo colocado a reboque do consumismo. Erosão das identidades sociais com prevalência do individualismo, sendo visível, por exemplo, a exacerbação sexual. Notava-se já uma fratura da socialização disciplinar, ao lado, porém, de fatores positivos como o culto da naturalidade, da cordialidade e do humor, uma flexibilização proporcionada pelo impacto da informação.
Apesar de vivermos uma época totalmente diferente, a tragédia anunciada séculos atrás permanece crescendo, numa progressão geométrica que parece não ter fim.
Vivemos num mundo onde a indiferença à necessidade de mudança cresce exponencialmente e o indivíduo reage as mais absurdas barbáries como mais um acontecimento cotidiano de sua vida. A revolta até aparece no momento, no bate papo do botequim, do trabalho, mas todos sem excessão deitam suas cabeças no travesseiro e dormem o sono tranquilo de quem faz a "sua parte".
Será que hoje só fazer a "nossa parte" resolverá os problemas oriundos desta deturpação da socialização?
domingo, 16 de março de 2008
Alguém tem dúvida?
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